Canindé: Motoristas são presos em flagrante acusados de desviar cimento destinado as obras de transposição do Rio São Francisco

Momento da operação (Fotos: Arquivo da Delegacia de Polícia de Canindé)

Por volda das 9:00hs da manhã da quinta-feira, 02, a polícia militar do 4ºBPM no município de Canindé de São Francisco/SE, distante 213 km da capital, recebeu uma denuncia anônima de que estava havendo descarregamento de cimento a granel no povoado Lagoa do Frio, zona rural do supracitado município, cujo material era suspeito de desvio.

Ao chegar ao local a polícia se deparou com dois caminhões do tipo Scania descarregando cimento em um pequeno galpão.

Não demorou muito tempo nem precisou de tanto interrogatório para que a polícia chegasse à conclusão de que realmente se tratava de desvio de cimento, onde os motoristas furtavam parte da carga e vendiam a um receptador, cuja carga era transportada da fábrica, em N. Sra. do Socorro/SE e levada até o estado de Pernambuco para as obras de transposição do Rio São Francisco.

Os acusados foram levados até a delegacia de polícia do município, onde prestaram depoimentos e encontram-se detidos. Os caminhões apreendidos foram levados até uma balança localizada no posto fiscal do município de Piranhas/AL e lá foi feita a pesagem dos mesmos, logo após foram liberados para suas empresas.

Conforme ticket de pesagem da fábrica de um dos caminhões, o peso bruto era de 73.660 kg e ao ser feita a pesagem foi contatado que havia 62,000 kg do peso bruto total, dando uma diferença de 11.660kg, ou seja, referente ao furto do cimento. O segundo caminhão, conforme o ticket de fábrica saiu com um peso bruto de 71.590 kg e quando foi realizada a pesagem no citado posto fiscal, deu um total bruto de 63.520 kg, uma diferença de 8.070 kg de cimento furtado do caminhão.

Os envolvidos

Um dos motoristas envolvidos, Melquisedeque da Silva Gonçalves, 32 anos, conhecido como “Falcão” confessou que trabalha na empresa há cerca de 9 (nove) meses e há cerca de 70 (setenta) dias está trabalhando transportando cimento a granel da fábrica em N. Sra. do Socorro/SE para as cidades de Salgueiro, Serra Talhada, Custódia e Paulistana, ambas em Pernambuco.

O segundo motorista trata-se de João Santos da Silva, 33 anos, conhecido como “João”, trabalha para a empresa há cerca de 1 (um) mês e 10 (dez) dias, transportando cimento para o município de Salgueiro/PE.

Galpão onde o cimento era depositado

Ambos confessaram que estavam estacionados em um posto de combustíveis no município, para tomar um café, quando um homem, o qual os interrogados relataram que não o conhecem, perguntou se eles tinham cimento para vender, propondo uma certa quantia em dinheiro para o descarregamento de uma boa parte da carga. Mesmo sabendo que estavam praticando um crime, os motoristas, que se dizem arrependidos, negociaram com o receptador de nome Romildo Severino Barbosa, 29 anos, conhecido como “Gordinho do Papoco” e foram até o local de desvio da mercadoria. Foi no momento dos descarregamentos que foram abordados por policiais militares que lhes conduziram para a delegacia do município.

Parte interna do galpão

O Gordinho do Papoco, já responde processo criminal na justiça, relatou em seu depoimento que os caminhoneiros o informaram que o cimento era sobra e não tinha qualquer problema, pois seria jogado fora. Hipótese esta que foi descartada pelo delegado de polícia que investiga o caso, Cledson Ferreira Pinto, por conta do grande volume apreendido.

O delegado entrou em contato com uma das empresas transportadoras da mercadoria, a qual informou que o procedimento realizado por seus motoristas não condiz com as determinações da empresa e que o cimento constante nos caminhões pertencia ao contratante do serviço de entrega, não podendo assim ser vendido pelos motoristas.

Parte externa do galpão, de onde o cimento era recebido para depois ser transferido para o lado interno do galpão através de uma abertura feita sobre o telhado.

7 (sete) lacres foram encontrados pela polícia na cabine de um dos caminhões, os mesmos eram utilizados para lacrar o silo do caminhão. O delegado destacou que o lacre de fábrica era violado para a retirada desejada do cimento e um destes lacres que foram apreendidos era posto para substituição do mesmo, driblando assim a fiscalização da mercadoria na hora da entrega em seu ponto final.

Dois maiores e sete menores trabalhavam no descarrego e acomodação da mercadoria na hora da abordagem. Ambos foram conduzidos para a delegacia, aonde chegando lá foram ouvidos e em seguida liberados por acreditar que os mesmos não tinham conhecimento da origem ilícita do cimento.

Há suspeita de que mais pessoas estejam envolvidas neste tipo de crime, inclusive em outros municípios. No celular de um dos motoristas a polícia encontrou fotos suspeitas de mais desvios de cimento, e que estão sendo investigadas.

Por Genilson Santos

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